26 de Abr de 2007

Depois de Abril, desabafo pouco arquivístico

Estamos a 33 anos de distância de um dia feliz que me permitiu nascer em liberdade. Tenho 25 anos e acho estranho já me encontrar farto (é mesmo o termo) de ir às urnas depositar o meu voto depois de ter o trabalho de ler os programas de governo dos partidos. Faço o meu papel de cidadão participativo em cada eleição ou referendo, mas basta apenas uma semana para perceber que fui enganado. Depois deste dia 25 de Abril é este o meu estado de espírito em relação à política. Adoro política mas não morro de amores por estes políticos. Não quero estar aqui a flechar o nosso governo, mas uma coisa é certa: sou novo mas tenho acompanhado a política do país desde a adolescência e não me lembro de tanto exagero em promessas por cumprir. Bem sei que a política tem os seus truques, as suas estratégias, o seu marketing, as suas mentiras...mas desconhecia ter tantas assim!
Por vezes ainda releio os programas eleitorais dos partidos que formaram governo em Portugal e fico muito desiludido com a imaginação de quem os escreve. Tanto papel gasto em letra morta. Como arquivista, estas coisas fazem-me muita confusão, porque normalmente gosto de conservar para o futuro a verdade da história e não a mentira ou a falsa promessa. Não deixa de ser história, mas preferia que fosse mais verdadeira. Um pouco mais de verdade é o que desejo no futuro. Só um pouco mais de verdade faz a fronteira entre a abstenção e o voto sincero dos cidadãos. Mais...faz a vontade de ir votar!